Caubói do asfalto de Alexandre Herchcovitch
Chegou ao fim mais uma edição do São Paulo Fashion Week. E ainda não vai dar pra descansar, infelizmente. Antes de fazer qualquer balanço, preciso falar aqui dos meninos do Alexandre Herchcovitch e do Marcelo Sommer para sua grife Do estilista, destaques do último dia de evento.

Coletinho pink de cetim com shape de alfaiataria
Alê continuou no clima dark da temporada passada mas, no lugar dos guerreiros do death metal, apostou em caubóis do apocalipse, numa coleção forte e sombria, cheia de preto e marrom, salpicados de pink. Muito colete e calças justas, encaixadas pra dentro da bota envernizada e combinadas com peças em xadrez e jacquard.

Nem tão viril assim…
Sujo de terra, o homem de Alexandre encara até um smoking com camiseta de tule, deixando claro que por trás de toda essa virilidade existe um peão de alma sensível (aliás essa imagem eu vi pela primeira vez num desfile da J. Lindberg, no último verão europeu). Acho uma coleção com forte apelo comercial, melhor que a anterior, mas que ainda não me pegou não. O Alê é capaz de muito mais.

Colete de tricô inteiro sobre camisa branca: tendência na Do estilista
Nessa temporada o Sommer me conquistou muito mais. Depois da Cavalera -que eu adorei-, ele mandou muito bem na sua própria coleção, desfilada no bosque do parque Ibirapuera. Como na véspera, chovia na hora da apresentação. E como na véspera, a chuva parou bem na hora. Existia o plano B, de desfilar dentro da sala 1, mas Marcelo fez muito bem em insistir com o desfile ao ar livre. Inspirado no fogo, criou mais um de seus momentos poéticos, daqueles que fazem a gente suspirar, em meio a tanto show mediano que temos que agüentar numa temporada de moda.

Gostosa confusão de xadrezes
Um monte de xadrezes (e não é por causa de tendência, afinal ele sempre apostou neles), misturas harmoniosamente confusas e um espírito country (também não é de hoje que Marcelo trabalha esse universo) nada óbvio deram o tom da coleção.

Country com chama dá nisso
Eu comentei o desfile ao vivo no estúdio do GNT com a Chris Nicklas e, já que tava rolando uma enquete sobre o estilista da temporada, dei meu voto sem pestanejar pro Sommer. Depois de ter recolocado a Cavalera nos trilhos, ele fechou a semana com chave de ouro.
No balanço da temporada, achei que teve pouco avanço pros homens, vale mais a pena prestar atenção no que os desfiles de fora estão antecipando. Mas, algumas peças-chave devem dominar as vitrines de inverno, assim como “novos” shapes merecem uma atenção: Coletes de todo tipo -do tricô ao náilon, da alfaiataria ao matelassê- vão pipocar por aí, escolha o seu. As calças estão mais retas, mas a skinny segue firme e forte, enquanto os paletós são, definitivamente, de um ou dois botões. Muitos pulls de tricô, de preferência oversized e de pontos largos vão fazer companhia aos simpáticos cardigãs. Coturnos são boa alternativa pros clássicos Oxford e dá pra apostar sem medo nos tênis flats coloridos. Por falar em cores, a cartela do inverno é sóbria -marrons, pretos, azuis e beges-, com pontos de luz em pink, laranja, amarelo e vermelho. Ah! E vale todo tipo de xadrez na composição do look. É meio por aí. No próximo post, volto com a moda masculina internacional. Tem coisa bem boa.
(Fotos: Charles Naseh)