Arquivo para junho, 2007

Paris em guerra!

Posted in Uncategorized on junho 29, 2007 by Sylvain

As guerras parecem estar cada vez mais enraizadas na realidade coletiva. Elas estão aí e não acabam nunca. Então, nada mais natural que continuem a inspirar a moda, das mais diferentes maneiras. Triste, mas a vida tem que continuar. E aí entra o talento dos criadores, cada um com seu olhar particular sobre esse universo, com o objetivo de criar imagens únicas e (importantíssimo) vender. Nos desfiles masculinos de Paris, iniciados ontem, duas maneiras diferentes de ver a coisa: uma mais poética, com mensagem positiva, nas mãos de Yohji Yamamoto e outra mais teatral, literal, mas não menos interessante, na visão de John Galliano.

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Confesso que amei a coleção do Yohji. Sempre avesso a tendências (Paris é tradicionalmente mais conceitual e menos comercial que Milão), mergulha no universo militar, com todos seus elementos clássicos, mas com personalidade própria. Jaquetas e casacos com desenho e corte caracterísitico, calças multicargo, com os muitos bolsos deslocados para a frente, coturnos, etc…Tudo leva a crer que se trata de mais uma (boa) coleção de inspiração militar. Mas óbvio é um adjetivo que não combina com Yohji. As sobreposições de coletes e camisas usados sob jaquetões em cores sóbrias, austeras e tristes ganham contornos otimistas com os pombos bordados nos paletós, brancos como a cartela de cores que se acende, levantando uma bandeira para a paz mundial. Um degradê de azuis pinta os looks e os coturnos viram espertos tênis, para acompanhar a silhueta oversize do desfile, numa moda de trincheira feita para as nossas ruas. Lindo, lindo!

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Já a guerra de Galliano é, por assim dizer, mais…Galliano! Toma referências em filmes de guerra como M.A.S.H e Apocalypse Now e é bem mais explícita, com profusão de camuflados e elementos de combate. Símbolos bélicos aparecem por todos os lados, de forma nada sutil, mas com resultado absurdo. O styling é sensacional, encaixa coletes, mochilas e cartucheiras nos soldados, e o que dá pra ver é uma seqüencia de personagens que fazem referências múltiplas, de Black Panthers a Osama Bin Laden. Os corpos sarados dos Gi Joes do estilista são sujos, pintados, grafitados, prontos pra lutar, seja nas ruas, nas trincheiras ou na arena de paintball. No fundo, é tudo uma grande diversão. E disso a pessoa entende. Entre sheiks e terroristas, limpando toda a parafernália, dá pra pinçar boas peças street, como as calças largonas, parkas e jaquetas de formas variadas. Adoro os moletons verde militar.

Se em Milão o discurso era leve e otimista, em Paris começou mais dramático. Conceito falando alto. De qualquer forma, acho que no final, todo mundo pensa igual: “Make love, not war”.

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Menos é o máximo

Posted in Uncategorized on junho 28, 2007 by Sylvain

Dei mais uma vasculhada nos desfiles de Milão e resolvi escrever sobre duas grifes que são o oposto das que citei no post anterior. Adeptas do minimalismo, Jil Sander e Marni não tem cores ácidas em suas cartelas, não inventam shapes super-inusitados e nem precisam de uma inspiração específica, por vezes complexa demais. A preocupação com novidade existe, mas o maior arroubo de inovação diz respeito ao emprego de novos materiais, os tais tecidos tecnológicos, inevitáveis na moda do novo milênio.

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O estilista Raf Simons diz que se inspirou na luz, em sua quarta coleção masculina para a Jil Sander. Simples assim. Tons claros, neutros e a escuridão da ausência de claridade. Tudo limpo, reto, em cores como branco, preto, cinza, azul clarinho, lilás e beges. A silhueta é seca, mas confortável. As camisas e pólos vêm fechadas até o último botão e dão um falso ar de nerd elegante, combinadas com bermudas de pregas em formato levemente encasulado. As calças? Variam entre as skinnies no meio da canela, as justas e compridas, e um modelo mais folgado, quase uma pantalona para meninos. Nos pés? Adivinhem. Sandália pesada, claro. Coleção urbana na medida certa.

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Consuelo Castiglione, famosa pelas idéias avançadas na linha feminina de sua Marni, também achou melhor limpar a versão masculina. Manteve a pegada tecno com materiais inusitados, como a tricoline empapelada das camisas ou o náilon fininho usado nos blazers e cabans, e trabalhou basicamente com uma cartela derivada de cinzas e azuis. Visualmente, a coleção conversa bastante com a da Jil Sander, com as camisas totalmente abotoadas, calças secas mais curtas e shape ajustado dos paletós. Tem até a pesada sandália nos pés, só que usada com meias pretas. Como complementos, muitas touquinhas e óculos poderosos.

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Vale citar ainda a gostosa coleção da Bottega Veneta, toda clarinha, com cara de roupa lavada e usada, bem confortável. Nesse caso, menos pretensão e mais atitude. Tudo de bom.

Ah! Repararam que, em várias fotos, os rapazes estão carregando bolsa? Olha a tendência se confirmando. Dá uma olhada: http://rgvogue.ig.com.br/moda/2007/06/27/e_ai_vai_encarar_871517.html 

Surf e fifties

Posted in Uncategorized on junho 27, 2007 by Sylvain

Foi dada a largada para a temporada masculina de desfiles para a primavera-verão 2008, em Milão. Só agora comecei a ver o que já rolou e, se ficamos com sensação de quase vazio na versão brasileira, algumas tendencinhas começam a ficar evidentes por lá. Passeando pelos principais desfiles, resolvi focar nas coleções da Burberry (eu sempre gosto), Gucci, Prada e Alexander McQueen. Pelo menos para esses, os anos 50 e o universo do surf vem falando bem alto.

 Burberry

Christopher Bailey moderniza de vez a Burberry. Acende a cartela de cores e abusa de tecidos tecnológicos. Muito neoprene, misturado com náilon e gabardine, nos trench-coats ajustados em cores ácidas, nas calças no meio da canela mas com cavalo solto e botinhas de surfista, referência explícita. Tem casaco de cobra dourado no final! Sabendo pinçar as peças certas para o dia-a-dia, sem medo de gostar de moda, é uma delícia de coleção.

Alexander McQueen

Outro que se joga no pranchão é o ex-rebelde sem causa, McQueen. Só que o surfista dele é menos tecno e mais vintage. Partindo de uma foto do  americano LeRoy Grannis (um dos maiores fotógrafos de surf da década de 50 e 60), que mostra um garoto pegando onda de terno preto e camisa branca, ele misturou referências como as leggings dos LongJohns (roupa de surf, de neoprene) com jaquetinhas tipo college dos anos 50. Os meninos do casting tem topete de Elvis e óculos Ray-Ban e uma ótima estampa de flamingos aparece nas camisas, num misto de kitsch e clima de balneário americano bem legal. Modelos ensopados, vestindo os ternos escuros e camisa branca com gravatinha estreita da foto-inspiração fecham o desfile.

Gucci

Frida Giannini olhou para a Cinecittá dos anos 50, mais precisamente pro Marcello Mastroianni, misturou com os filmes de Steve McQueen dos anos 60 e deu ares de cafajeste elegante pros homens da Gucci. Muito costume branco, misturado com peças em preto e vermelho, pólos listradas, cardigans e jaquetas de motoqueiro. Tem terno estampado e com míni-quadriculados, color skinnys (dá-lhe 2nd Floor!) e um bloco meio navy, meio balneário retrô, com shortinhos e túnicas. Sapatos tipo ballet, à la Capezio ou Repetto, completam os looks. Tipo figurino de filme.

Prada

Já a Miuccia, começa com silhueta 50 nos terninhos escuros e cardigãs, e depois apela pra estética over dos anos setenta, com calças secas mas com boca aberta, estampas quadriculadas e crash surreal de prints e padronagens. Acho ótimos os macacões de camisaria e a unidade do casting, todo de meninos com cabelo à la Gladiador.

Atenção homens: Calças secas reinam, mas tem as folgadas também, ou ainda as duas coisas ao mesmo tempo. E muita sandália pesada nos pés. Afinal, é primavera.

Pronto! E pra começar…

Posted in Uncategorized on junho 26, 2007 by Sylvain

vrom2.jpgalexandre-herchcovitch.jpgDe tanto incentivarem e de tanto ver todas as pessoas ao meu redor envolvidas com a blogmania, resolvi resgatar o meu. Bem, na verdade, esse é novo, pois eu abandonei o anterior de tal forma que nem lembro o endereço. Me animei e resolvi botar a mão na massa.

Moda no masculino. Sendo um homem da moda, nada mais natural que eu use este espaço pra falar do assunto, mas também de outras cositas. Pode ser música, cinema e até futebol, porque macho que é macho sabe exatamente em qual rodada do campeonato brasileiro estamos ou pra que time se transferiu o francês Thierry Henry.

Acabei de escrever um texto fazendo um balanço da moda masculina apresentada na São Paulo Fashion Week pro suplemento do Estadão, que deve sair no final desta semana. Por isso, esse vai ser o assunto nesse primeiro post. Pois bem, a conclusão é que, quem tem mais de trinta anos vai ter dificuldade em montar sua arara de verão. A menos que tenha espírito jovem e cabeça aberta, o que, convenhamos, não é o normal do homem brasileiro. Mas como a gente não é muito normal, vamos aos highlights. Meu coup de coeur vai para a delícia de coleção do Igor de Barros para a V.Rom, street na medida certa, imprimiu charme a peças confortáveis e super usáveis. Fiquei feliz porque depois da saída dos meus amigos Rogério Hideki e Vítor Santos (que me fizeram chorar no último desfile) deu um frio na barriga e a dúvida: “e agora?”. Que nada, Igor mandou super bem e assinou a melhor coleção masculina da temporada. Outro destaque foi o Alexandre Herchcovitch. Pra mim destaque negativo, apesar de entender quem amou o desfile. Adoro e respeito o Alê, sou fã e cliente, mas dessa vez não deu. Enquanto a coleção feminina foi um primor (com certeza no pódio das melhores do evento), a masculina não me pegou. Achei aquela imagem medonha, muito styling e pouca roupa. Pronto, falei! Gosto do homem do Sommer para sua Do Estilista, sempre cool, e do nerd fashion do Fause. Zoomp é competente e a 2nd Floor tem a missão e o mérito de tentar emplacar a calça skinny entre os bofes. Será que pega? Eu uso e adoro. No mais, proporções erradas, shape seco na alfaiataria e muita bobagem comercial colorida, num papel de coadjuvante eterno dos meninos em meio às coleções femininas. Alguém avisa os estilistas de moda pra homem que começaram os desfiles internacionais?!

Hello world!

Posted in Uncategorized on junho 25, 2007 by Sylvain

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