Paris em guerra!

As guerras parecem estar cada vez mais enraizadas na realidade coletiva. Elas estão aí e não acabam nunca. Então, nada mais natural que continuem a inspirar a moda, das mais diferentes maneiras. Triste, mas a vida tem que continuar. E aí entra o talento dos criadores, cada um com seu olhar particular sobre esse universo, com o objetivo de criar imagens únicas e (importantíssimo) vender. Nos desfiles masculinos de Paris, iniciados ontem, duas maneiras diferentes de ver a coisa: uma mais poética, com mensagem positiva, nas mãos de Yohji Yamamoto e outra mais teatral, literal, mas não menos interessante, na visão de John Galliano.

yohji.jpg

Confesso que amei a coleção do Yohji. Sempre avesso a tendências (Paris é tradicionalmente mais conceitual e menos comercial que Milão), mergulha no universo militar, com todos seus elementos clássicos, mas com personalidade própria. Jaquetas e casacos com desenho e corte caracterísitico, calças multicargo, com os muitos bolsos deslocados para a frente, coturnos, etc…Tudo leva a crer que se trata de mais uma (boa) coleção de inspiração militar. Mas óbvio é um adjetivo que não combina com Yohji. As sobreposições de coletes e camisas usados sob jaquetões em cores sóbrias, austeras e tristes ganham contornos otimistas com os pombos bordados nos paletós, brancos como a cartela de cores que se acende, levantando uma bandeira para a paz mundial. Um degradê de azuis pinta os looks e os coturnos viram espertos tênis, para acompanhar a silhueta oversize do desfile, numa moda de trincheira feita para as nossas ruas. Lindo, lindo!

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Já a guerra de Galliano é, por assim dizer, mais…Galliano! Toma referências em filmes de guerra como M.A.S.H e Apocalypse Now e é bem mais explícita, com profusão de camuflados e elementos de combate. Símbolos bélicos aparecem por todos os lados, de forma nada sutil, mas com resultado absurdo. O styling é sensacional, encaixa coletes, mochilas e cartucheiras nos soldados, e o que dá pra ver é uma seqüencia de personagens que fazem referências múltiplas, de Black Panthers a Osama Bin Laden. Os corpos sarados dos Gi Joes do estilista são sujos, pintados, grafitados, prontos pra lutar, seja nas ruas, nas trincheiras ou na arena de paintball. No fundo, é tudo uma grande diversão. E disso a pessoa entende. Entre sheiks e terroristas, limpando toda a parafernália, dá pra pinçar boas peças street, como as calças largonas, parkas e jaquetas de formas variadas. Adoro os moletons verde militar.

Se em Milão o discurso era leve e otimista, em Paris começou mais dramático. Conceito falando alto. De qualquer forma, acho que no final, todo mundo pensa igual: “Make love, not war”.

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5 Respostas to “Paris em guerra!”

  1. Adorei o post e as coleções também! Acho ótimo quando os criadores de verdade se afastam das tendências do mercado.

    E parabéns pelo blog novo!!

  2. […] assunto, inclusive um balanço de tudo que aconteceu em Milão. E tem também comentários sobre as coleções de guerras de Galliano e Yohji Yamamoto, as melhores do primeiro dia de desfiles de Paris. Enquanto Galliano […]

  3. dusinfernus Says:

    demorei, ams chegay!
    me aguarde

  4. dusinfernus Says:

    só pra desabafar:Eu, em um ato tão inútil como os comunistas qiue não tomavam coca-cola, não uso de maneira nenhuma camuflados, mas a coleção do Yamamoto que queira inteira, é nesse sentido que eu visto a roupa de guerra.
    adorei seu texto!

  5. […] do último desfile masculino de verão 2008, de John Galliano, que comentei aqui , todo inspirado na estética da guerra e seus tipos absurdos, montados da forma mais teatral […]

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