Para pensar e sorrir

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A maior expectativa da temporada de moda masculina era a sucessão de Hedi Slimane na Dior Homme pelo jovem belga Kris Van Assche. Não rolou. Depois da pegada moderna e da injeção de frescor que Hedi vinha imprimindo na marca, deu uma sensação de regressão. Numa apresentação em formato de tableau vivant, ou seja, com os modelos todos paradinhos num ambiente, como que posando para uma pintura, o que se viu foram muitos paletós pretos e camisas brancas, em shapes clássicos, sem emoção, sem vida. Um pouco de cinza, calças secas bem curtas ou em formas oversize, meio Aladim, com cintura alta, que parecem ser a aposta do estilista – usou praticamente o mesmo modelo no desfile de sua própria marca, bem fraco aliás. Tudo muito bem cortado, com padrão Dior, mas careta demais prum público acostumado com o mix de mod e rocker tão bem executado por Slimane. Tudo bem, a tarefa de Kris é meio ingrata, talvez seja uma transição mesmo, mas que foi frustrante, isso foi.

Mas nem tudo é frustração em Paris. Tem coisa animadoramente boa rolando por lá também. Só pra citar algumas coleções que me fizeram sorrir, vou destacar:

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Paul Smith, com seu jogo de cores very British, desta vez inspirado no pintor e fotógrafo inglês David Hockney, num preppy sempre cool e elegante.

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Ann Demeulemeester que, inspirada no dadaísmo, imaginou um excêntrico artista de férias no sul da França. Sobreposições, listras de todas as formas e o perfume vitoriano de sempre. Moderno.

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Comme des Garçons é de tirar o chapéu. Como a danada da Rei Kawakubo é boa! O número 3 é a chave da coleção. Explico: num jogo de sobreposições, às vezes falsas, às vezes verdadeiras, a estilista cria looks de 3 paletós, 3 coletes, 3 camisas….Os paletós são falsamente sobrepostos, com atenção nos mínimos detalhes, os coletes se desdobram em versões maxi em azul, preto ou marrom. Muita bermuda e calça curta folgada, além de excelentes combinações de xadrezes e losangos, bem à la V.Rom e Do Estilista. O casting de meninos suados e com desenhos tipo tatuagem nas canelas também é ótimo.

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Minha surpresa ficou mesmo para a Lanvin, do fofo Alber Elbaz. Que delícia de coleção! Suave, leve, moderna….super atual. Muita seda e moletom em corte de alfaiataria, elementos esportivos misturados espertamente com os bem alinhados clássicos, além dos lindos sapatos metalizados pra arrematar. Paletós, gravatinhas, shorts com pregas e calças tipo jogging, tudo ao mesmo tempo agora. Com a ajuda de uma cartela neutra de brancos, off-whites, beges, marrons e cinzas, além do preto, claro, Elbaz, que já tinha mandado bem na sua última coleção feminina para a Lanvin, confirma ser nome quente no circuito da moda atual.

Algumas tendências ficam claras depois de ver os principais desfiles de Paris: as calças estão bem mais folgadas -será o fim do reinado skinny?-, paletós com debruns contrastantes estão por toda parte e sobreposições são a regra para a próxima primavera-verão européia.

Paris é sempre um chute na caretice e um sopro de criatividade no difícil universo da moda masculina. Sendo assim, e deixando as raízes falarem alto, só posso me declarar pra essa cidade: “Paris, je t´aime”. (o filme de mesmo título, em cartaz em São Paulo, e que eu acabei vendo sem querer esse finde, é sensacional e vale a investida)

7 Respostas to “Para pensar e sorrir”

  1. Eu não gostei dessa nova Dior Homme. Me pareceu velha, antiga… haha. Gostei do desfile da Number 9. Abs!

  2. forademoda Says:

    Para pensar e chorar: quando estive lá, as coisas que eu mais gostei ou eram Paul Smith ou Ann Demeulemeester, mas ganhando em real, não dava pra nenhum dos dois.
    O comentário aqui em casa é: seus textos por aqui, são infinitamente melhores do que no Estadão. Mostra para ela, que este bom humor e suas sacadas valem a pena!!!!

  3. Maria Prata Says:

    To passada com esse blog. Esse Sylvain é mto CDF, mesmo. Faz tudo bem feito demais!

  4. eu também to passada, que depois de ler volto lá e vejo tudo de jeitos diferentes. tá ararsante, congrats! =)

  5. quem ganha herença slimanesca agora eh a Cerruti dirigida pelo ex pupilo de Heidi – Taralis. E Rick Owens, onde estao as imagens da nova colecao? bises

  6. Em seis meses parece que a Dior envelheceu seis anos. Agora, não fala que o skinny vai acabar! Acabei de comprar duas calças novinhas…rs. Sucesso ao blog.🙂

  7. […] última temporada de desfiles masculinos para a primavera-verão 2008, apontei a Lanvin como uma das minhas coleções preferidas. Adorei a esperta e elegante mistura de clássico com esportivo, numa moda super usável, suave e […]

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