Arquivo de março, 2008

Coréia+Bélgica+Espanha=Novo talento da moda masculina

Posted in Uncategorized on março 31, 2008 by Sylvain

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O (jornalista inglês) Godfrey Deeny, figuraça que está sempre por aqui durante nossas Fashion Weeks, se derreteu em elogios à coleção de inverno 2008-2009 da Il Galantuomo, assinada pelo jovem coreano Gun Hyo Kim, em um artigo escrito para o Fashion Wire Daily durante a última temporada de desfiles de Barcelona. O problema é que a matéria não vinha acompanhada de fotos, por isso fiquei meio cabreiro com tanto entusiasmo. Depois de ter visto as imagens no Vogue.fr, porém, achei que ele tinha uma certa dose de razão.

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Vivendo em Antuérpia (berço da modernidade belga na moda), Kim é ex-assistente de Dries van Noten e parece ter aprendido muito bem como trabalhar a alfaiataria enquanto esteve por lá. Basicamente, a enxuta coleção consiste em paletós e calças de corte preciso e muito bem-acabado, que desenham uma silhueta que ora lembra a de Slimane, ora algo mais clássico, como um Ferragamo, por exemplo, sempre confeccionada com top materiais.

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Inspirado nos elementos dos judeus hassídicos, que ele salpicou durante toda a apresentação (chapéus e os tzitzis – aquelas tranças penduradas na cintura), Kim conquistou Barcelona e parece ser aposta quente para o futuro da moda masculina. Aos 26 anos, o coreano, que mora na Bélgica e desfila na Espanha, é o hypercool da vez, “o melhor inicio de carreira na moda masculina dos últimos tempos”, nos termos da empolgação (um tanto) exagerada do Godfrey. Vamos ficar de olho. A nota ruim de sua apresentação é que o coitado parece que ficou tão nervoso com o desfile que adoeceu e quem colheu os louros foi o assistente. Ossos do ofício…

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T Mag para eles

Posted in Uncategorized on março 28, 2008 by Sylvain

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George Clooney na capa da T Magazine

Maria deu a dica e lá fui eu desvendar o delicioso mundo da T Magazine, revista eletrônica do New York Times. Navegando pelo tópico arquivos descobri que eles lançaram uma edição totalmente dedicada aos meninos, com as principais tendências para a primavera-verão deles, mas que dá super pra gente adaptar aqui. Realmente, a visita ao site tem que ser feita com calma, clicando em toda parte e tendo tempo pra destrinchar, porque tudo vale a pena. O mais legal é que se trata de uma revista de jornal, como no mundo todo, inclusive aqui, mas com uma linguagem de moda super fresca e longe de ser careta. Tem pra todos os gostos. Dos mais jovens aos mais clássicos, todo homem consegue se identificar com alguma coisa ali.

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Bowie vive no editorial Face Oddity

São oito editoriais e mais um monte de matérias, vídeos e dicas de consumo, tudo muito cool. Meus destaques vão para a ótima entrevista com o imortal Mc Hammer, falando sobre a volta do shape de suas calças pelas mãos de Kris Van Assche, na Dior Homme e a excelente matéria da Suzy Menkes sobre o poder de venda do sexo.

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Can’t touch this!: Shape Mc Hammer na Dior, com opinião do original

Pelos lados das imagens, recomendo as matérias Vanilla Nice (minha preferida), com boas propostas de alfaiataria descomplicada clicadas por Mark Segal, e Face Oddity, por Lawrence Passera, mais jovem e edgy, com inspiração bowieana. A personalidade da edição é George Clooney, fotografado lindamente pelo histórico Jean-Baptiste Mondino.

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Alfaiataria sem pretensão em Vanilla Nice

Tem ainda a seção Pickup Pix, editorial com pegada street, conseguido todo com peças, digamos, mais acessíveis. A gente bem que podia aprender a comunicação de moda em massa com a T que, apesar de ser americana (ou talvez por causa disso), entendeu tudo em matéria de mainstream. Ponha nos seus favoritos já.

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Moda jovem e barata em Pickup Pix

Men in white

Posted in Uncategorized on março 28, 2008 by Sylvain

Os europeus andam apostando no look total white para a primavera-verão deles. É um clássico da estação mais quente nas coleções femininas, mas será que o estilo playboy italiano pega entre os homens? Eu acho muito chic e, apesar de ser meio reticente ao uso em ambiente urbano, torço pela elegância acima de tudo, sempre. Se você segura a onda, inverta as estações e embarque na imaculada proposta de alguns estilstas, montando sua produção para o nosso inverno tropical. Cuidado: os mais baixinhos devem pular esta dica, sob ameaça de parecerem mais com um ovo do que com o Humphrey Bogart.

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Look de Veronique Branquinho (com esse sobrenome, mais apropriado, impossível)

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Clássico, para Roberto Cavalli

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Dolce & Gabbana, molto chic

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Jil Sander: quer mais minimalista que o branco?

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Rykiel Homme: esse é bom pros trópicos

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ZZegna: urbaníssimo

Lou Doillon na Playboy francesa

Posted in Uncategorized on março 27, 2008 by Sylvain

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Como eu achei a palestra de Marie Rucki ontem bem média, cheia de obviedades e até erros graves para quem tem tanta cancha no mundo da moda, ao invés de fazer um review azedo, resolvi postar algo muito mais interessante. Saiu a nova Playboy francesa, com a atriz Lou Doillon na capa. E antes que alguém se manifeste dizendo que blog masculino só podia mesmo acabar em mulher pelada, digo que o trabalho que a nova geração está fazendo com a famosa revista do coelhinho é digna dos melhores editoriais das publicações mais fashion do planeta; a tradução mais atual de nú artístico.

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Com muito frescor e bom gosto, os ensaios da Playboy francesa revelam sem apelar, provocam com classe e são muito fashion, sim. Além de tirar a roupa de pessoas bem mais interesantes do que as popozudas e big sisters da nossa versão nacional. Primeiro foi a quase recatada Juliette Binoche, que não tem nem um pouco o perfil da garota do poster, agora a coelhinha da vez é a atriz-cult Lou Doillon, filha de Jane Birkin, que é uma espécie de Chloë Sevigny gaulesa, transitando entre as telas de cinema, colunas sociais e editoriais de moda. As fotos são do grego Takis Bibelas (nunca tinha ouvido falar) e exalam feminilidade, com muita delicadeza.

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O french touch para deixar uma publicação cool sem perder o lado comercial é mesmo impressionante, vide o caso da Vogue Paris, onde o savoir-faire de Carine Roitfeld levou a revista a ser a mais legal de toda a família.

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Por falar em Carine (não vou resistir), alguém aí acha normal uma mulher do nivel de Mme. Rucki, mulher da moda e….francesa, deixar passar batido um erro crasso como o RoitfeldT apresentado ontem na projeção de sua palestra no Iguatemi? Teve mais: Vitor & Rolf, Victoria Beckam…Fora que o tópico blogs se limitou a falar de streetstyle (zzzzz….), sendo que o terreno é muito mais fértil, não? Enfim, a palestra de ontem (Moda e Comunicação) pode ter sido muito legal para quem está chegando agora no universo fashion, mas bem superficial para quem está pelo menos no nível 1 de conhecimento da causa. Por isso, fiquem com as fotos do ensaio de Lou Doillon para a Playboy, muito mais enriquecedor. 🙂

Ah! Detalhe: essa edição é especial moda. Tem matéria sobre os 75 anos da Lacoste, sobre o estilista Gaspard Yurkevich, entrevista com Viktor & Rolf (com K, viu, madame Rucki?)…Viu como Playboy também pode ser cultura?

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Editorial masculino na McMag

Posted in Uncategorized on março 26, 2008 by Sylvain

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Publico aqui uma prévia do editorial que produzi para a McMag, revista eletrônica tocada pelo querido Marcelo Hirata lá de Londres. O tema da edição é black e minha interpretação foi esse clima noir fetichista, conseguido com looks pretos com pitadinhas de branco. Aqui vão apenas algumas das fotos (são 10 no total). Assim que estiver no ar, ponho o link. Deixem suas impressões.

NOIR FETICHIC

Fotos: Guilherme Young; Edição e styling: Sylvain Justum; Produção de moda: Sator Endo e Juliana Cosentino; Beauty: Rafael Guapiano: Modelo: Allan Marsil (Elite)

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Tá, eu sei, as fotos tão meio mal recortadas, mas tô me habituando ao Mac ainda, dêem um desconto, vai…

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Marie Rucki, dia 1

Posted in Uncategorized on março 25, 2008 by Sylvain

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Minha intenção não é fazer uma cobertura diária dos ensinamentos de Mme. Rucki, transmitidos nas palestras que acontecem até sexta no Iguatemi -até porque eu não devo ir todos os dias-, mas ontem fui, vi e gostei.

Com o tema da Nova Geração, a mestra (que representa a típica senhora parisiense: chique naturalmente, culta e doce até a página dois) basicamente tratou de fazer uma comparação da filosofia de vida e de trabalho dos grandes nomes da moda, que estão aí há décadas, e a novíssima leva de jovens profissionais. Novos talentos que, em alguns casos, já têm suas próprias grifes e outros que, por ora, ainda são meros empregados das grandes maisons. A grande diferença entre as duas gerações de estilistas é essencialmente o que os move, a faísca que impulsiona o trabalho de cada um, e a maneira com que eles olham para o métier. Por meio de exemplos muito bem escolhidos, Mme. Rucki ilustrou perfeitamente seu raciocínio e ainda nos fez conhecer gente nova muito talentosa (vale ressaltar que todos os nomes citados por ela são de pessoas em quem ela acredita e de quem admira o trabalho, além de serem formados pelo Studio Berçot, dã).

Diferenciar a nova geração da mais antiga é relativamente simples: os profissionais de agora são mais bem preparados, estudados, raciocinam de forma mais cartesiana e não são unicamente movidos pela emoção. John Galliano e McQueen, por exemplo, são estilistas de emoção, que aprenderam a ler as necessidades mercadológicas de suas próprias marcas e das para quais trabalham meio que na raça, já que só foram preparados para criar. Mme. Rucki elogiou bastante o Olivier Theyskens (adoro!) como um belo exemplo de jovem criador cheio de entusiasmo, capaz de entender perfeitamente o mercado, absorver a história da marca que o emprega e ao mesmo tempo imprimir sua própria identidade nas roupas que faz para a Nina Ricci (e, anteriormente, na Rochas).

O primeiro case de jovem típico representante da nova geração a quem fomos apresentados é Yasu Michino, “garoto” de 25 anos, responsável pelo desenvolvivento de boa parte dos acessórios da Givenchy. Mme. Rucki disse que entrevistou o menino e ficou muito impressionada com sua estratégia de carreira, muito metódica e madura, longe do estereótipo de jovem intempestuoso e porra louca de outras gerações. Seu pragmatismo é tanto que, depois de tentar ganhar espaço na maison através de suas bolsas (desenhadas em croquis precisos que mais parecem saídos de uma aula de geometria), ele não se importaria em mudar de área, carregando consigo tudo o que aprendeu na moda.

Jean-Philippe Gawronski fez estudos de direito em Paris, mas decidiu desenhar sapatos, masculinos e femininos, que hoje são fabricados em couro natural na França e tingidos com materiais não-poluentes, parte da filosofia ecologicamente correta de seu trabalho. Ele é sócio da Imitiation and Disguise e colaborador deste blog aqui, o Bem-casadas, da Constance Borges, que é brasileira e já trabalhou na Givenchy.

Teve também o exemplo da Talc, grife que faz roupas infantis bem básicas, que poderiam ser encontradas no Monoprix, mas fez material de divulgação fofo e conceitual com os petits e arrumou O ponto pra sua loja, no Marais. Isso tudo, somado ao fato de ser bem-relacionada dentro da elite parisiense e pronto: virou hype entre madames que querem o básico com um touch a mais para seus filhotes. Teve ainda o exemplo da COS (de Collection of Style, braço da H&M), que desfila em Londres e faz uma moda urbana e minimalista para ambos os sexos e todas as idades, a preço acessível. Aliás, os três exemplos acima são de grifes que aliam qualidade, design e preço, algo bem importante nos dias de hoje e também para Mme Rucki. Não me admira que ela goste tanto da Marisa…

Post longo, né? Mas, calma, que vem a melhor parte: exemplos de moda masculina! Marie Rucki citou o norte-americano Adam Kimmel, que desfila em NY e faz roupa para poucos (segundo ele próprio). Queridinho do meio artsy da Big Apple e de estilistas como Martine Sitbon, Adam se inspira nos artistas dos anos 60 e 70 (Pollock e Warhol são algumas das referências) para criar uma moda meio intelectual, meio snobbish, feita com os melhores materiais do planeta. É tudo pretensiosamente cool, como a roupa do pintor de telas que finge que não se preocupa com o que veste, sabe? Enfim, sangue jovem, de sucesso.

Antes de fechar com Lacroix e seu enorme talento para ser mais do que estilista de moda (comparação com a facilidade da nova geração em multiplicar as possibilidades de sucesso) e mostrar que ele soube conduzir muito bem sua carreira ao desenhar de assentos para o TGV a uniformes de aeromoças da Air France, Mme. Rucki guardou um capítulo para Hedi Slimane, dizendo que ele é o futuro, um exemplo de talento com identidade. Assinatura que ele carregou para a fotografia desde que saiu da Dior e que continua presente em seu trabalho. As fotos de Slimane têm sempre algo de trash, de anônimo, de frio, num universo muito próximo da música, no qual ele sempre conviveu. Reflexo óbvio nas roupas que criava para a Dior que, apesar de serem voltadas para um público essencialmente jovem, foram resultado da visão do estilista que talvez tenha entendido melhor a evolução de uma geração. Eu, como sou fã, pulei na cadeira nessa hora. Bem legal.

Amanhã volto lá, no dia 3, e conto pra vocês o que achei.

Papillon

Posted in Uncategorized on março 24, 2008 by Sylvain

amabaw2.jpg amabaw1.jpgFiquei intrigado com a aposta de Tommy Hilfiger nas gravatas-borboleta em sua coleção de inverno 2008, depois com o editorial delicioso da Another Magazine e, no dia seguinte, ao ver uma entrevista com o francês Alexis Mabille no Hintmag. Hilfiger parecia convicto sobre o momento dos noeud-papillon na moda masculina (mesmo se a justificativa de que se inspirou no filho-aspirante-a-rapper-que-pede-pro-pai-da-namorada-fazer-os-nós-da-gravata me pareceu um tanto superficial) e apostou neles em boa parte dos comportados looks da coleção. Mabille é um jovem parisiense que vem rendendo assunto ao explorar inúmeras possibilidades que uma simples gravata-borboleta pode render em versões masculinas e femininas..amabaw4_2.jpg amabaw3.jpgTendo passado por maisons famosas como Nina Ricci, Ungaro e Christian Dior, Mabille sabe o que faz e guardou o gosto pela elegância e sofisticação que aprendeu por lá, acrescido de uma boa dose de humor. Trabalha com duas linhas: A Impasse 13, linha unissex de vestuário, e a Treizeor, de acessórios, sem fazer distinção entre homem e mulher, na única intenção de questionar a divisão dos sexos na moda enquanto cria belas roupas. O sucesso dele é tanto que lhe rendeu convite para mostrar suas criações durante a semana de alta-costura em Paris, no último mês de janeiro. Esse moço entendeu bem o espírito da nossa época e suas propostas às vezes sóbrias, às vezes divertidas, são a melhor tradução de como usar a tradicional gravatinha no século 21. Olho nele.fall08.jpgOutro que vira e mexe aposta nas borboletas é Paul Smith, e sua coleção de verão, que chega agora às lojas de fora, faz todo sentido nesse novo contexto funny de como usar a sua. Vide o editorial da AM.00350m.jpgAgora, se tivesse que escolher um ícone borboleteiro meu voto seria para o estilista-pinguim Alber Elbaz. Ele parece ter nascido de gravata-borboleta, não? Vamos ver se essa nova mania da moda masculina dura ou se é só fogo-de-palha. Usada de forma fresca e fugindo do óbvio, sou super a favor.alber_narrowweb__300x5550.jpg